Pereira Lima - O Poeta do Milênio

COSMOFUTURO


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  1. TRÊS HIPÓTESES VIAGEM A ANDRÔMEDA
  2. PRIMEIRA PEGADA HOMEM NA LUA
  3. AMBIÇÃO POESIA
  4. ERA ASTRAL
  5. INFINITO
  6. FICARÁS ALADO...
  7. CONSELHO LUA (antes do homem pisar na Lua, 1957)
  8. DESPEDIDA SOL
  9. VÓS DOUTRO MILÊNIO...
  10. NÃO SEI NOS ASTROS...
  11. DESPEDIDA TERRA
  12. ESTRELA PROFECIA
  13. POMPEIA, CARNAC, ...
  14. CÉU
  15. MAR
  16. ORAÇÃO EMIGRANTE ASTRAL
  17. NÁUFRAGO DO INFINITO...
  18. AO DESCOBRIREM AMÉRICAS...
  19. PRIMEIRO COSMONAUTA
  20. ANIMAIS ERA ASTRAL
  21. AO PARTIR DA TERRA...
  22. CERTO...
  23. VIAJAREIS...
  24. VISÃO ERA ASTRAL
  25. SERES INTERPLANETÁRIOS...
  26. INFINITO VAZIO
  27. MUNDOS PERDIDOS
  28. SOLIDÃO ASTRAL
  29. ANO UM MILHÃO D.T. (DEPOIS TERRA)
  30. QUEM SABE?
  31. SINAIS RÁDIO DO COSMO
  32. Ó MARCIANOS...
  33. SERES GALAXIAIS
  34. PIONEIRO 10
  35. ESTOICISMO ASTRAL
  36. UM TEATRO DAS GALÁXIAS
  37. ACASO INFINITO
  38. MENSAGEM GERAÇÃO ASTRAL

TRÊS HIPÓTESES VIAGEM A ANDRÔMEDA *

Viajarás à velocidade da luz
Voltando 56 anos mais velho.
Terra terá quatro milhões anos mais.

Acharás supercivilização.
Não os entenderás nem eles a ti.
Te estudarão como peça museu.

Acharás planeta devastado
Regredido Era das Cavernas.
Não os entenderás nem eles a ti.
Serias tido como um Deus.

Após infinita solidão dos espaços
Acharás solidão do planeta
Totalmente extinto de seres e de vida.
Não poderás ser entendido nem entenderás
Os que passaram.

Mas num cantinho sótão do universo
Caberá num único ser
Toda saudade pela espécie humana!

__________________
* "... is one of the best poems written on the future of man - and about the future of our universe."
(International Poets Academy)



PRIMEIRA PEGADA HOMEM NA LUA *

Lembra outra remoto milênio:
Primeira pegada primeiro macaco que se fez bípede
Elevando pela primeira vez seu olhar para o Infinito.
Um desceu da árvore, outro desceu da nave...

Dentro túmulo egípcio acharam após milênios
Pegadas humanas no chão.
Alguém ignoramos, nunca sonhou saber de nós
Daqui bilhões anos
Pegada Armstrong na Lua
Suscitará mesmo mistério...

Imortalidade humana! Queres ser maior
Que imortalidade do planeta!
__________________
* Poema incluído no acervo da NASA, EUA, com interferência do astronauta Neil Armstrong.




AMBIÇÃO POESIA

Amada quando todos homens forem somente uma cor.
Compreendida quando humanidade paz viver.
Bela até mesmo na paisagem doutros cosmos.
Sentida um dia por espécies compreenderemos.

ERA ASTRAL

Como não pecarmos por orgulho
Se nos fizestes á Vossa semelhança?


INFINITO

Infinito nos prende, pesa!
Imagina se não fosse azul...


FICARÁS ALADO...

Ficarás alado! Invenções te levarão aos astros!
Grandes como futuro! Firmes como passado!
Penetrarás segredos estelares!
Acharás seres doutra espécie!
Nunca mais angústia
Seres único


CONSELHO LUA *

Conquistando espaço chegarás a mim.
Devassarás meus vales, crateras.
Não os ensanguentes então! Antes de ti
Já tinham vindo aqui tuas visões!

________________________________________________________________________________________
* Poema escrito em 1957, antes de o homem pisar na Lua (do livro "Mundo Futuro", Ed. Org. Simões, Rio).



DESPEDIDA SOL

Amanhã viverás outro universo!
Não esqueças aí este velhinho!
Luz - esculpiu pra ti todas formas.
Lembra no apogeu! Até no inconsciente
Gerei formas de teus sonhos.


VÓS DOUTRO MILÊNIO...

Vós doutro milênio! Que será nosso cansado orbe?
Alguém marcial lembrará fazer dele
Brazão em bandeira.
Talvez aumentando dor passada
O façam asilo de desterrados, presos
Farol astral ás naves perdidas...
Pintores mais felizes o retratarão doutro espaço!
Amantes! Lua-de-mel tereis mais bela das alcovas:
Tudo nele obra do amor!
Mestres aula de História indicarão céu às crianças...
Humildes se consolarão:
Verão no alto Nada consumado!


NÃO SEI NOS ASTROS...

Não sei nos astros habitarás
Terás paisagens tiveste: flores, mares, montes.
Não sei amanhã sóis maiores, luz mais forte
Aclararão melhor coisa para ti.
Não sei maquinismos inventarás ainda.
Se criarás seres artificiais
Se te misturando com outras espécies farás superespécie.
Sei: sempre te eternizarás horizontalmente
Sempre céu será moço porque sem rugas
Sempre lágrimas limpará olhos
Na sujeira universal.


DESPEDIDA TERRA

Sol se esfriará ... Morrerei velhinha
Envolta pela treva a lembrar treva em que nasci.
Minhas cãs: brancos gelos
Águas diluviais do fim: lágrimas demais que sofri.
Porém ah! a outros cosmos
Último Homem levará última arma...
Terei então paz final!

Quando habitares outro planeta
Eu muda vagar pelo espaço
Não me maldigas se em guerras te criei!
Noites estreladas serei Lua: te deslumbrarei...
Fui crime, serei poesia!

Nada sabemos a rolar espaço sepulcral!
Giro em volta mim mesma pra verdade nunca achar.
Somente Lua fiel na dor nunca nos virou o rosto
Alumia inda trevas existência...

Deus! nem nos maiores transes te vimos!
Vieste à Terra quando fizeste primeiro Homem...
Ah virás certamente quando a deixar o último!...

Museu astral - turistas me visitarão
Vendo epopeias em cada palmo terra.
Tudo parecerá inacabado, ser e não-ser
Como gesto heróis no bronze.
Ruínas... provam
Ser o tempo o último arquiteto.

Ah datareis A. T., D. T. antes, depois Terra.
Quanto mistério levareis a outros astros!
Nunca sabereis quanta humanidade deixastes aqui
Quantas cidades, monumentos enterrados
Vossa arqueologia esquecerá!
Quanta inscrição indecifrada...
Mensagem morta em língua morta!


ESTRELA PROFECIA

Caminharás estradas etéreas! Pensarei saudosa:
Na tua infância guiei teus primeiros passos
Agasalhei teu berço com manto de beleza!

Buscarás mistério em vão!
Lá entre astros imensos compreenderás
Verdade é do tamanho do Infinito.

Relógio do Homem: ampulheta.
Marca pela areia horas das coisas que serão areia.

Verme roerá tudo.
Menos tua sombra, teu sonho, tua lágrima.

Planeta a planeta! Avançarás mais além!
Enquanto horizonte for o cais dos olhos.
Quando ultrapassares teu cosmo
Verás foi nosso céu apenas uma telha!


POMPEIA, CARNAC, ...

Pompeia, Carnac, Mênfis!...
Humanidade acabará sem ficar nenhum homem.
Arqueólogos cósmicos estudarão Terra morta.
Deslumbrados reconstituirão Eras...
Nem saudade nos pertencerá.


Segui fiel todos teus passos.
Quando pousares outro astro
Levarás inda areia na sola teus pés.
Tua vaidade perpetuei: mármore, bronze.
Quando os não dei
Esculpi estátua mais pura: caveira.


CÉU

Teu confidente eterno:
Me olhas em horas de aflição!
Bomba Hidrogênio! Fome! Sangue! ... Não lamentes!
Além Terra também haja desespero.
Penetrando todos escaninhos cosmo
Céu sabe dores que nunca saberás!


MAR

Habites embora astro longe
Ouvirei um pouco tua história
Igual me ouves numa concha.
Galeras aos porta-aviões enterrados meu seio:
Teu progresso.
Feridas náufragos: tuas guerras.
Tesouros submersos: tua perdição.


ORAÇÃO EMIGRANTE ASTRAL

Deus! mundo está superlotado.
Quando bocas se esvaziam, mãos se enchem de armas
Nós daí luz para que possamos
Mais rápidos que aumento da espécie
Sair Terra cansada, achar outro planetas.
Outro Paraíso
Não percamos pela maçã ou pelo pão...
Quando os superpovoarmos
Daí que achemos cosmos novos...
Isso nunca nos faltou!


NÁUFRAGO DO INFINITO...

Náufrago do Infinito lançado às praias Terra
Vieste ó Primeiro da convulsão doutro planeta!
Com abalo perdeste fala, memória.
Por isso nasceríamos ignaros.
Faríamos sempre do céu morada dos deuses.


AO DESCOBRIREM AMÉRICAS...

Aos descobrires Américas no espaço
Alguém se perderá dos companheiros cosmo longe.
Morrerá cercado somente pelas coisas -
Pedra lançada no lago
Cujas ondas, gerações, alcançarão margens remotas.
Enquanto ela jazerá desconhecida no lodo fundo...
Morto, verá mais infinitos que o dos astros.


PRIMEIRO COSMONAUTA

Longe Terra! Longe porto astral!
Só em meio eternidade
Que valerão dias - quinta, sábado, domingo?
Semelharás Deus antes calendário.
Vazio imenso do cosmo
Nunca Homem foi tão íntimo de si!
Nenhum esteve mais distante da humanidade!
Nunca verás tantas estrelas! Nunca
Olho humano contracenará com tanta luz!


ANIMAIS ERA ASTRAL

Partis ó Homem para aventura astral
Deixando aqui vossos irmãos irracionais!
Lembrai! ... quando vivíeis entre animais
Éreis mais humano!
Boi: único deixou atrás de si
Pegada maior: dos arados.
Vivo ou morto matou vossa fome.
Cavalo: lutou convosco guerras
Único misturou seu sangue ao vosso.
Camelo: fostes alpinistas em suas corcovas
Único partilhou vossas solidões desertos.
Cão: vigia do não-ser quando dormistes
Como deuses, maior amigo dos homens.
Não vos pedimos, oh não teremos essa graça!
Levardes nossas patas antiquadas
Ao deslumbramento outras galáxias.
Quando olhardes dos astros onde fordes
Pro céu onde Terra vagará muda, só...
Pensai um instante em nós!
Dos seis pés iniciastes vossa marcha pelo mundo
Quatro foram nossos!


AO PARTIR DA TERRA...

Ao partir da Terra último foguete últimos homens
Despedida como será triste:
No cais ninguém acenará...
Como morte onde um somente diz adeus.
Tripulantes comovidos no convés
Te verão diminuir ó planeta aos poucos á distância
Coração deles diminuirá também
Mais e mais de saudade...


CERTO...

Certo percorrerás todas galáxias
Ávido em descobrires novas formas vida,
Outros seres pensantes.
Talvez aches mais desertos no deserto infinito
Mais solidão na solidão cósmica
Não encontrando vida,
Nem a morte, certeza não vivida.


VIAJAREIS...

Viajareis mesma angústia terrena
Nas estradas sem margens do Infinito:
Todo ser será passado, nada...
Ah morte fosses futuro, fosses profecia!...
Tudo são ruínas sob luz estrelas...
Também elas
São destroços do cosmo que era todo luz.


VISÃO ERA ASTRAL

I

Nem na língua doutra espécie - certamente a falareis -
Não transmitida por sons - podereis pintar o que vereis!
Todas visões místicos profetas!
Beleza sentida por todos viveram planeta!
Todas imaginações de loucos que nunca saberemos!
Todos sonhos nunca revelados de gênios anônimos!
Todas criações de Dante, mais o que poeta não cantou!
Tudo Marco Pólo viu, mais o que esqueceu ao descrever!
Toda admiração arqueólogos
Avaliando pelas ruínas apogeu outrora!
Todo assombro nautas pioneiros
Desbravando rota virgens, ilhas, continentes!
Tudo isso somado!
Estupor do primeiro Homem na Terra!
Estupor do primeiro ser de mundos infinitamente maiores!

II

Vereis utopia fantástica!
Revelações etéreas inéditas!
Instantes colossais mundo se formando!
Astros diferentes todos já vistos!
Astros não de matéria, de pensamento
Cujos satélites em torno deles
Guardam passado de todas galáxias!
Cosmos sem dor! Onde astros não tem forma de lágrima!
Túneis imensos varando planetas!
Pontes metal invisível ligando asteróides!
Seres que amoldam tempo à sua vontade
Podendo viver 60 em 6 anos, 10 em 100 anos!
Outra raça tirando como petróleo energia
De espaços mortos, estrelas fósseis!
Atmosferas fabulosas onde nuvens são nebulosas!
Vulcões lançando lavas: cometas radiantes!
Desertos somente de luz! Oásis somente de sombras
Onde simum levanta pó com dimensão da Terra!
Seres vivendo dentro opacidade sólidos
Ocupando mesmo lugar no espaço!
Corpos cujas almas ao morrer serão corpos doutras almas
Noutro mundo, evolução continua!

III

Arquiteturas colossais Voltareis nomadismo antigo!
Cidades móveis que andarão! Outras suspensas sobre chão!
Palácios não de mármore, de luz paralisada! *
Represarão luz como represam rios!
Nossos carros astrais serão antiquados!
Energia insuspeitada do próprio corpo humano
O transportarão a todos rumos!
Voltareis nudez do Paraíso:
Todos órgãos corpo serão visíveis!
Bebês nascerão anestesiados
Passarão a vida sem dor, morrerão sem dor!
Energia nova nunca sonhada
Alimentará tudo no cosmo!
Nada matará pra viver!
Todos seres realmente irmãos
Pedra, planta, fera, homem, marciano!
Até raízes não comerão mais terras!

IV

Saireis mais perfeitos do planeta que vivestes!
Não mais crimes!
Mãos segurarão outras mãos - não armas -
Pra ajudar,consolar, saudar, amar.
Não necessitareis perdão porque não haverá mal.
Não igualareis por isso deuses
Não acrescereis mais grandezas ao Infinito.
Porém não haverá ó Homem
Espaços escuros entre as estrelas

V

Vivereis dia 48 horas...
Fusos horários serão outros.
Ó irmãos era astral
Como vos parecerão pequenos, ridículos
Nossos alpinistas!...
Até vossos repouso diferente:
Máquinas raras em vossos cérebros **
Introduzirão durante sono - tempo nenhum será perdido -
Toda cultura humana.
Astronaves gigantes
Rebocarão Terra pelo espaço.
Vereis nebulosas formando magma de galáxias.
Não achareis habitantes em Marte ou outros astros
Porque seres invisíveis como o magnetismo.

__________________
**Previsão lembra preservação da cultura pela internet (do livro "Mundo Futuro", Org. Simões, RJ, 1957).

VI

Inventarei cérebro ubíquo!
Pensareis sentireis estareis
Vários lugares ao mesmo tempo!
Tereis supersentidos!
Percebereis todas vidas, formas vos rodeiam!
Em vosso eu invisível
Visível toda engrenagem Criação:
Da viagem moléculas dentro cosmo
Ao espocar de galáxias novas!
Imãs que atraem luz!
Energia tirada de galáxias morta
Pra reanimar galáxias novas
Conservando equilíbrio do universo!

VII

Rotas serão outras! Viajareis nave sem amurada:
Não há horizontes no espaço.
Enfrentareis maremotos de luz, nevascas de caos,
Tremores terra espaciais avalanches de asteróides...
Lembrareis! ... longas caravanas, naves frágeis...
Engatinháveis no berço, o descobrindo...
Nunca esquecereis mar: como o espaço imenso, belo, puro
Porque não guarda pegadas dos que o atravessaram
Onde fordes haverás sempre algo
Do aventureiro terreno que fostes!
Olhos mirarão alto, lágrima correrá pro chão.

VIII

Mais remotos limites infinito
Vereis precipícios tendo ao fundo cosmos em trevas
Oceanos mais estranhos: mar sem ondas, totalmente imóvel:
Pólos infinito icebergs de luz gelada
Gerando rios de estrelas
A se precipitarem em cataratas brilhantes!
Cosmos sumirem subitamente
Surgindo depois ... rios subterrâneos!...
Vereis tudo isso! Sereis mais deslumbrados que nós!
Porém perdereis surpresa
Quando entrardes galáxia da morte, palácio de Deus
__________________
* Trecho do poema "Visão Era Astral" ("Mundo Futuro") com previsão realizada: cientistas conseguiram paralisar a luz.



SERES INTERPLANETÁRIOS...

Seres interplanetários! Um dia solidão saaras espaço
Desejareis rever planeta antigo.
Vestígios era atômica passada
Vereis então ruínas, mártires do tempo
Em lágrimas, mártires dos olhos!
Porém na solidão noturna do planeta
Vós que medireis tempo em anos-luz
Lembrareis quando o contáveis pela Lua!


INFINITO VAZIO

Ó irmãos futuros
Sereis mais livres, menos terrenos que nós!
Não indagareis mistério preso ao planeta!
Morte não estará mais aprisionada á Terra!

Porém vos sentireis mais perdidos:
No Infinito todos caminhos servem...
Será mais vazio vosso eu.
Vazio em que nada cabe.


MUNDOS PERDIDOS

Ao Artur da Távola

Quantos nascem, morrem neste instante no planeta?
Quantos mais, leitor, nascerão, morrerão
Quando chegares último verso do poema?
Quantos mundos surgem, somem ignotos no universo?...
Nosso nome é humanidade? Qual nossa identidade?
Pré-história, Idade-Média...
Em que época da eternidade estamos?


SOLIDÃO ASTRAL


Estamos sós no universo!
Inútil apelar a deuses!
Homem tem contar consigo mesmo
Pra minorar sofrimento no planeta...
Quem pode nos amar -
Ser ínfimo na imensidão cosmo?
Só o cão nos ama, sem nos ter criado.

"Um Atlas de nossa galáxia que dedicasse
uma página a cada estrela da Via-Láctea
precisaria ter 10 milhões de volumes,
de 10 mil páginas cada um, para descrever
cada sistema estelar."
Como querermos ser lembrados?
Como achar saída deste labirinto?

ANO UM MILHÃO D.T. (DEPOIS TERRA)

Ó vós em cosmos ultrapassam toda imaginação
Pra quem nosso Infinito foi mera calota polar!
Não sereis queimados, enterrados:
Incorporados Cérebro Coletivo
Energia, experiência aproveitadas
Cemitério-satélite pelo espaço!
Astros amorfos sem cores contornos
Onde formas se desfazem se recompõem instante a instante!
Seres cujos eus vivem somente se refletidos por outro ser!
Habitantes cuja fala sem sons sem gestos
Se espalha pelo corpo todo.
Todos sentidos num único - tato.

Explorareis desvãos galáxias
Vossos arqueólogos no espaço sem passado
Desencavarão passado sem poeira!
Achareis nascentes do cosmo! Matriz do antes e depois!
Descobrireis luz trevosa cujo toque gera vida!
Viajareis sem sair do lugar: regiões virão a vós!
Também no cosmo! Correntes marinhas
Em oceanos sem esteiras, praias sem ressacas
Vos desembarcarão costas astrais desconhecidas.
Habitareis astronavemegalópolis redor planetas
Repetição de milênios: população em excesso
Vivendo barca beira cais metrópoles!

Não haverá crepúsculo, somente aurora
No cosmo, acordar eterno.
Milhões sóis! ... ah nosso céu
Não foi mais que cortina de fumaça!...
Tereis outra visão que não a nossa
Pra suportar deslumbramento que vereis!
Aventuras astrais
Usareis luz como hélices usaram ar.
Percebereis galáxias rede oscilante
Lançando astros no espaço, os aparando!...

Tudo será aproveitado!
Novas formas de energia surgirão
Do fluxo do sangue,
Da tênue força de respirar ou das palavras.
Da temperatura do cérebro.

Seremos pré-história! Terra - caverna escura!
Nosso deus - o trovão que já foi antes!
Mesmo um Deus contemporâneo da eternidade...

Ante multinfinitos
Sentireis menos vida porque sentireis menos morte.
Porém cedo ou tarde
Seremos todos atores de tragédia...


QUEM SABE?

Quem sabe animais pré-históricos bailavam solo
Sustentando peso imenso
Porque gravidade da Terra já foi igual á da Lua?
Quem sabe dilúvio de que falam todos povos
Não ocorreu na Terra:
Colossal dilúvio submergiu universo
Lançando últimos seres da espécie no planeta -
Pico mais alto do espaço cósmico?
Quantas atlântidas submersas no Infinito?

Quem sabe na explosão do caos uno
Bilhões pedaços foram lançados espaço...
Como bolas rolando no chão
Esferas perdendo impulso inicial
Pararão um dia...

Quem sabe somos únicos seres da galáxia
Enquanto outros habitantes abandonaram seus planetas em ruína
Buscando vida melhor noutras galáxias?
Quem sabe somos cobaias dum laboratório imenso
Onde nos inoculam fome, opressão, guerras, doenças?
Quem sabe
Planetas são ilhas rodeadas de infinitos por todos lados
Longe, bem longe do continente verdadeiro?



SINAIS RÁDIO DO COSMO

Vós que enviastes sinais antes de eu ser!
Posso vos alcançar embora não saiba
Quem sois, se inda sois.
Imaginação tem dimensão dos braços da morte.
Sinais misteriosos: desespero socorro, náufrago?
SOS algum astro
Cataclisma acabou tragicamente?
Sinais astronave extraviada buscando porto astral
Visitantes ignotos buscando contato...
Quantos astros Infinito tragou
Em agonia, solidão
Sem ao menos simples ondas rádio
Morrerem nas praias da solidariedade humana?
Ou nada chegará a nós -
Habitantes porão do cosmo?


Ó MARCIANOS...

Ó marcianos, venusianos, jupitereanos!
Não sabemos como serão vossas feições...
Mas que o Tempo nunca deixe sobre vossos corpos
- Como sobre nossos -
Suas impressões digitais de rugas...


SERES GALAXIAIS

Seres não vemos em outros astros
Não captados por nossos fracos sentidos.
Seres atingem ideal:
Vivem sem envelhecer, morrem sem adoecer...
Seres vacilantes entre passado e futuro,
Outros passando estado difuso pro concentrado.
Seres vivos por etapas -
Partes suas vidas em várias partes cosmo.
Outros dirigindo vida à vontade:
Se transformando conforme seus desejos.
Seres se multiplicando como clones.
Seres vivem, hibernam, renascem,
Seres trocando de corpos contínuas mutações...
Fica pergunta:
Só o Homem único ser do universo
A sentir angústia da morte?


PIONEIRO 10

Ao Jorge Luiz Calife

Mesmo após bilhões anos Sol explodir
Acabando todos planetas,
Navegarás com efígie de ouro do Homem gravada em ti,
Sem atmosfera pra não corroer teu metal,
Sem gravitação pra não interromper tua marcha.
Se Deus existe
Haverá um porto, uma finalidade pra ti.
Se Deus não existe, nós existimos
No único vestígio da humanidade
Vagando eternamente entre as estrelas...
Como uma concha solitária
Sem ressoar o mar infinito...


ESTOICISMO ASTRAL

Que é a imortalidade que almejamos
Ante bilhões anos-luz, bilhões galáxias?
Seres superiores a nós ou não doutros cosmos
Almejarão mesma imortalidade?
Eternizar nosso eu pra nosso universo
Ou pra todos universos que há no Infinito?...
Já que se vive, aceitemos poeira que somos
Diferente das estrelas que brilham sem saber que se apagam...


UM TEATRO DAS GALÁXIAS

Não sabemos em que cena entramos, não sabemos
papel que representamos, nem em que cena saímos.
Não sabemos o enredo, não sabemos quem dirige o
drama, nem sabemos em que lugar está o teatro
no universo.


ACASO INFINITO *

Todo movimento galáxias, regularidade
cometas, posições estrelas, órbitas planetas,
gravitação universal - nossa ciência comprova
por leis exatas milhões anos-luz - que
representam um minuto da eternidade... noutro
minuto tudo pode ocorrer diferente.
Uma parte nosso cosmo pode ter sido gerada
pela Grande Explosão, outra parte por estilhaços
nebulosas gigantes, outra parte ainda por
condensação da energia errante pelo sidéreo,
ou universo - que era um todo uno em seu início -
está envelhecendo se decompondo em astros e
estrelas pelo Infinito... Infinito onde cabem
todas hipóteses.
Universos vagam à deriva nos mares Infinito
E se formam
Como ventos formam ao acaso dunas das praias...
__________________
* Hipótese confirmada parcialmente por descobertas posteriores de astrônomos norte-americanos: galáxia sem lei da gravidade.



MENSAGEM GERAÇÃO ASTRAL

Achareis talvez poema perdido ruínas da Terra...
Mais que pra ninguém, vossa esta epopeia!
Vosso Virgílio! Vereis comigo círculo das eras!
Ah quanto esforço da espécie
Pra conquistar planeta um dia deixareis!...
Povoareis mais cosmos! Doutras galáxias mais raças
Partilharão convosco imensidões...
Vosso Poeta estará morto!
Menos que grão de areia, simples instante no cosmo...
Instante único, insubstituível!
Nunca mais se repetirá na eternidade!
Criação é perfeita.
Nem mesmo Deus a pode recriar.

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